Cão-guia traz qualidade de vida e renova as esperanças de estudante de Direito

Acordar, fazer suas tarefas do dia a dia, ir para o trabalho, faculdade, ver os amigos no final de semana, são atividades corriqueiras para um estudante de 24 anos. Porém, quando em meio a esta rotina é preciso ainda lidar com uma deficiência visual, até as mais simples situações adquirem um certo grau de dificuldade. Esta é a vida de Murilo Henrique Delgado Mariano, assistente administrativo que cursa o 6º semestre de Direito. Casado com Jade, também uma pessoa com deficiência visual, e pai de Emanuele, de 3 anos, Murilo consegue administrar tudo isso com mais facilidade, graças a mais nova integrante da família: a labradora Baduska.

Murilo conta que desde cedo teve que lidar com a deficiência visual. Por conta de sua mãe ter tido toxoplasmose durante a gravidez, ele nasceu com glaucoma, uma má formação do nervo óptico e apenas 5% de visão do olho direito. Após algumas cirurgias corretivas, acabou perdendo completamente a visão. “Nunca deixei de fazer minhas tarefas, sempre trabalhei, mas era muito difícil, pois não me sentia seguro para sair sozinho. A Baduska mudou a minha vida, trazendo essa segurança e autonomia que me faziam tanta falta, por isso, estamos o tempo todo juntos”, conta.

Um fato importante a se observar é que o cão-guia não trouxe apenas benefícios para o Murilo, mas sim para toda a família. “Minha esposa também possui deficiência visual, enxerga apenas vultos. Ela é de Manaus e nos conhecemos pela internet, nossos encontros eram anuais, na Reatech, uma feira internacional de tecnologias em reabilitação, inclusão e acessibilidade. Decidimos nos casar e logo em seguida chegou nossa filha, Emanuele, que agora tem três anos. Ela é simplesmente apaixonada pela Baduska. Embora o cão-guia seja individual, quando saímos aos finais de semana, a Baduska nos conduz e nos leva a um novo mundo de possibilidades e interação social”, enaltece Murilo.

De acordo com a lei federal nº 11.126, estabelecida em 27 de junho de 2005, é assegurado à pessoa com deficiência visual acompanhada de cão-guia o direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os meios de transporte e em estabelecimentos abertos ao público e privados.


Encontro


Murilo é de Sorocaba, interior de São Paulo, e por meio de amigos e das redes sociais conheceu o Instituto Magnus, iniciativa sem fins lucrativos, gerido pela Adimax Pet e localizado em Salto de Pirapora – cidade próxima a Sorocaba -, cujo objetivo é contribuir para a inclusão social através do cão-guia em diversas esferas da sociedade. Por isso, além do treinamento e entrega dos cães, suas atividades também são palestras informativas e educativas, vivências, dinâmicas de grupos e ações de divulgação para conscientização e engajamento de pessoas para a causa.

Assim que abriram as inscrições para receber um cão-guia, Murilo cadastrou-se e após dois meses teve seu perfil compatível com o da Baduska. “Fizemos testes, treinamos e logo estávamos prontos para esta nova vida”, declara.

Atualmente, Murilo trabalha como auxiliar administrativo no Instituto Magnus e conta que oportunidade surgiu também por conta do cão-guia. “Eu trabalhava como estagiário concursado na Justiça Federal, mas meu contrato estava terminando. Por ter recebido a Baduska, mantive contato com o pessoal do Instituto, participava de eventos e quando surgiu a vaga eles me convidaram para trabalhar e eu, sem dúvida, aceitei. Estou há dois meses na instituição”, relata.


Família Socializadora


O Instituto Magnus desempenha um grande trabalho para promover essa autonomia, segurança, confiança e interação social na vida das pessoas que convivem com a deficiência visual. Mas para isso, conta com o apoio de famílias socializadoras, que têm um papel essencial no primeiro ano vida do filhote, que futuramente será um cão-guia. Essas famílias têm o compromisso de expor os cães a uma rotina diária que conta com tarefas como: andar em transporte coletivo, passear em espaços públicos, conviver com outros animais e pessoas, entre outras atividades.

Todos os custos, desde alimentação, medicamentos, acompanhamento veterinário e treinamento são de responsabilidade do Instituto Magnus. “Encontrar essas famílias tem sido nosso maior desafio. A maioria das pessoas acaba não encontrando tempo para dar essa atenção ao cachorro, o que é fundamental para o desenvolvimento do animal. Outras, têm receio de se apegar e após o período de socialização terem que se despedir do cão. Entretanto, é preciso lembrar que todo esse processo tem como objetivo uma causa muito maior, que é a de ajudar essas pessoas com deficiência visual a ganharem a mobilidade e a confiança que a falta de visão restringiu”, declara Thiago Pereira, gerente geral do Instituto Magnus.

Além de ensinar ao filhote muito do que ele precisa saber para sua futura profissão, a família colabora com uma mudança social ensinando a todos que cruzam seu caminho sobre direitos e deveres de uma pessoa com deficiência visual e cão-guia. O processo todo dura cerca de 18 meses, até que o animal possa ser entregue à pessoa com deficiência visual, que participa da última etapa de treinamento para se adaptar ao novo companheiro. Nesta etapa, os usuários ficam hospedados de 15 a 20 dias na instituição, em um hotel construído exclusivamente para isso.

Para aqueles que desejam conhecer o Instituto, é possível realizar uma visita monitorada, que deve ser agendada com antecedência pelo e-mail: contato@institutomagnus.org ou por meio do telefone: (15) 3042-1110 ou 99755-7201. As visitas são realizadas às terças e quintas-feiras, em dois períodos: das 10 às 11h30 ou das 16 às 17h30, além de um sábado por mês das 10 às 11h30. E quem tiver interesse em fazer parte do programa pode tirar todas as dúvidas e se inscrever pelo site do Instituto: www.institutomagnus.org.

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