Festival Sesc Jazz & Blues traz atrações nacionais e internacionais

Durante a 6ª edição do Festival Sesc Jazz & Blues, que acontece nesta semana, oito unidades do Sesc no Estado de São Paulo receberão 21 atrações - nove nacionais e 12 internacionais (EUA, Gana, Israel, África do Sul, Argentina e Uruguai), em uma programação que contempla a diversidade de estilos e misturas desses ritmos-irmãos, que têm na liberdade do improviso a sua essência. Para o diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda, a realização da 6ªedição do Festival, em várias unidades do Estado, reafirma o papel da Instituição como local de encontros, efervescência e provocação cultural constantes. “Além de proporcionar ao público o contato com a diversidade da música desses gêneros, produzida no Brasil e no mundo, o que estimula novas práticas e novos hábitos de apreciação musical”, destaca.


Kirk Fletcher: músico começou a tocar aos 8 anos, na igreja do pai dele


Em Piracicaba os shows acontecem nesta quinta-feira, 10, na sexta, 11, e no sábado, 12, com programação que contempla artistas de Israel, Estados Unidos e também brasileiros como Hermeto Pascoal, que lança seu novo e duplo álbum No Mundo dos Sons, pelo Selo Sesc. As apresentações acontecem sempre a partir das 20 horas, no Ginásio do Sesc, sendo dois shows por noite. Os ingressos custam entre R$ 15,00 e R$ 50,00 e podem ser adquiridos no portal Sesc SP e também nas bilheterias das unidades.

Itamar Borochov, trompetista israelense - QUINTA-FEIRA, 10: a espontaneidade do jazz mistura-se às melodias e harmonias do Oriente na envolvente sonoridade do trompetista israelense, aclamado por sua habilidade em mesclar bebop e hard bop a ritmos pan-africanos. Filho do compositor Yisrael Borochov, pioneiro no cenário de música étnica. Sob a influência desse ambiente multicultural, Borochov começou a tocar violino aos 3 anos, passou pelo piano e a guitarra, até ser fisgado pelo som do trompetista Miles Davis. Radicado em Nova York há 10 anos, Borochov se apresentou com artistas como o trombonista Curtis Fuller e o saxofonista Arnie Lawrence, além de trabalhar com o conceituado grupo Yemen Blues, antes de lançar Outset - álbum que entrou na lista dos melhores de 2014. Neste show, o músico apresenta Boomerang (2016), disco com jazz revigorante ao aprofundar a busca por suas raízes. Ficha Técnica: Itamar Borochov – trompete; Rob Clearfield – piano; Avri Borochov – baixo; e Jay Sawyer – bateria.

Hermeto Pascoal & Grupo – QUINTA, 10: compositor, arranjador e multi-instrumentista Hermeto Pascoal, tido como um dos grandes gênios da música brasileira, lança o álbum duplo No Mundo dos Sons (Selo Sesc) depois de um hiato de 15 anos sem gravar com o grupo. Aos 81 anos de idade e vivendo um momento auge de criação, ele selecionou 18 composições próprias nunca antes gravadas, com arranjos que também levam sua assinatura e foram elaborados especialmente para o disco. Nelas, o músico alagoano lembra os amigos Carlos Malta, Edu Lobo, Tom Jobim, Astor Piazzolla e Thad Jones, para citar alguns exemplos.

O disco está nas plataformas de streaming Spotify, Deezer, Google Play Music e Apple Music e também nas lojas neste mês de agosto. Hermeto dedica o CD aos irmãos de som Vinicius Dorin e Antonio Luiz de Santana “Pernambuco”, e ao “Anjo” Rafael Accioli, seu bisneto e neto de Fábio, integrante do grupo. Todos já falecidos e lembrados com faixas especiais: Vinicius Dorin em Búzios; Salve, Pernambuco Percussão!; e Rafael amor eterno. O parceiro Sivuca ganhou Forró da Gota para Sivuca e o pianista americano Chick Corea, que Pascoal chama carinhosamente de “Chiquinho Corrêia”, está em Um abraço Chick Corea. Ainda são lembrados o trompetista Miles Davis, o contrabaixista Ron Carter, o pianista Jovino Santos e Ilza da Silva, mulher com quem Hermeto conviveu por 46 anos, teve seis filhos e faleceu no início dos anos 2000. Em meio a tantas homenagens, o virtuose ainda se dedica ao Som da Aura. A composição foi composta segundo a teoria do multi-instrumentista: ele acredita que cada ser humano e sua fala formam uma música particular. A faixa é uma sequência de diálogos do grupo, transformadas em música por Hermeto, de acordo com a harmonia que soa ao falar.

Gravado em fevereiro deste ano no estúdio Gargolândia, em São Paulo, Hermeto e grupo – formado pelo baixista Itiberê Zwarg, no grupo desde 1977, o baterista Ajurinã, Jota P. no comando dos instrumentos de sopro e o percussionista Fábio Pascoal, filho do compositor – se reuniram durante a semana do carnaval de 2017 para a produção dos discos. Além de assinar a direção musical, composições e arranjos, Hermeto toca com sua maestria particular apitos, escaletas, berrantes, teclados, chaleiras, colheres e pianos preparados. Apesar do longo período longe dos estúdios com o grupo o músico nunca deixou de produzir. Nesse intervalo, gravou trabalhos com seu duo, compôs, fez shows, improvisou e recebeu recentemente o título de “Doutor Honoris Causa” pela universidade New England Conservatory, em Boston, nos Estados Unidos. Ficha técnica: Hermeto Pascoal - piano, teclado, acordeão e voz; Fabio Pascoal – percussão; Itiberê Zwarg - baixo e voz; André Marques - piano, Jota P - saxofone e flauta; e Ajurinã Zwarg – bateria.


Nikki Hill: o marido, o guitarrista de blues Matt Hill, insistiu para que ela cantasse


TRIO CORRENTE, SEXTA – 11: Fabio Torres, Paulo Paulelli e Edu Ribeiro formam o Trio Corrente, vencedor do Grammy de melhor álbum de jazz latino em 2014 e também do Grammy Latino pelo álbum Song for Maura, disco gravado com o saxofonista cubano Paquito d’Rivera. Desde o lançamento de Corrente (2005), os três exercitam a habilidade de criar improvisações jazzísticas ancoradas em choro, samba e bossa nova, numa bem dosada união de composições próprias e versões. Essa é a fórmula de Song for Maura, em que Chorinho pra Você, de Severino Araújo, e Céu e Mar, de Johnny Alf, aparecem ao lado de Paquito, homenagem ao parceiro Paquito D’Rivera, e Saidera, ambas de Fábio Torres. Esse mix estimulou uma conversa com o público que os acompanha, tanto para vibrar com a lembrança de clássicos, quanto para desvendar as experiências sonoras do trio. A receita se repete em Vol. 3 (2016), que traz canções de Djavan, Chico Buarque e Pixinguinha, junto à lírica Nívea, na qual Edu Ribeiro celebra sua mãe, e Samba do Ribeiro, samba em que Torres desafia o parceiro de grupo. Ficha técnica: Fábio Torres (piano); Paulo Paulelli (baixo); e Edu Ribeiro (bateria).

KIRK FLETCHER, SEXTA, 11: O músico começou a tocar aos 8 anos na igreja de seu pai, ao lado do irmão mais velho Walter que, além de música gospel, introduziu o caçula à psicodelia de Jimi Hendrix. Iniciava-se uma trajetória de pesquisas sonoras que chegou ao auge quando Fletcher conheceu Al Blake, líder da banda Hollywood Fats, mentor que o apresentou tanto às raízes do blues, quanto o ajudou a se inserir no cenário, ao levá-lo para conhecer o cantor Kim Wilson, da banda The Fabulous Thunderbird. Com Wilson, o guitarrista fez suas primeiras turnês internacionais, dando início a uma lista de colaborações que inclui Pinetop Perkins, James Cotton, Hubert Sumlin e Charlie Musselwhite, entre muitos outros. Essas parcerias foram essenciais para que Fletcher consolidasse seu nome na cena de blues e lançasse seu primeiro álbum solo, I’m Here and I’m Gone (1999). Desde então, foram mais três produções e experimentações infinitas, em covers e músicas autorais, agora também cantando, formato que ele estreou no disco My Turn (2010). Ficha técnica: Kirk Fletcher - guitarra e voz; Adriano Grineberg – teclados; Renato Limão – baixo; e Victor Busquets – bateria.

NIKKI HILL, SÁBADO, 12: De uma infância cantando no coral da igreja e dançando ao som de R&B, Nikki se juntou à cena punk e hardcore, como uma maneira de construir sua própria identidade musical. Entretanto, a cantora só abraçou a vocação após o marido, guitarrista de blues Matt Hill, insistir para que ela cantasse. Daí iniciou sua carreira como intérprete de rock e blues com influências que vão de Little Richards e Chuck Berry a Otis Redding, Johnny Thunders e Amy Winehouse. Com dois discos, Here’s Nikki Hill (2013) e Heavy Hearts Hard Fists (2015), as produções a levaram a ser chamada de “a rainha do rock”. Ficha técnica: Nikki Hill – voz; Matt Hill – guitarra; Laura Chavez – guitarra; Chris Reddan – bateria; e Nicholas Gaitan – baixo.

BANDA MANTIQUEIRA, SÁBADO, 12: sob a liderança do clarinetista Nailor Azevedo, o Proveta, nasceu a big band Mantiqueira, com inspiração nas orquestras de jazz, referência que Proveta e seus comparsas moldaram a um repertório brasileiro. O grupo soma apresentações ao lado de artistas como Hermeto Pascoal, Laércio de Freitas e Guinga, além de acompanhar intérpretes como Monica Salmaso, Fabiana Cozza e Rosa Passos. Após um hiato de dez anos sem lançar discos, a banda volta em Com Alma (Selo Sesc), álbum em que revisita os 25 anos de trajetória em composições inéditas e também novos arranjos para clássicos. Ficha técnica: Nailor (Proveta) Azevedo - sax alto e clarinete; Ubaldo Versolato - sax barítono, flauta e píccolo; Josué dos Santos - sax tenor e flauta; Cássio Ferreira - sax tenor, soprano e flauta; François de Lima - trombone de válvulas; Valdir Ferreira - trombone de vara; Nahor Gomes, Walmir Gil e Odésio Jericó - trompete e flugelhorn; Jarbas Barbosa - guitarra elétrica; Edson José Alves - contrabaixo elétrico; Celso de Almeida – bateria; e Fred Prince e Cléber Almeida – percussão.

SERVIÇO - Sesc Jazz & Blues: dias: 10, 11 e 12 de agosto. Classificação etária: a entrada de menores de 16 anos será permitida apenas se acompanhados do responsável legal (pai/mãe). Ingressos por dia (dois shows): R$ 15,00 (trabalhador no comércio de bens, serviços e turismo credenciado no Sesc e dependentes (Credencial Plena); R$ 25,00 (aposentado, pessoa com mais de 60 anos, pessoa com deficiência, estudante e servidor da escola pública com comprovante); e R$ 50,00 (inteira). Vendas no Portal Sesc SP e nas bilheterias do Sesc. Local: Ginásio do Sesc Piracicaba. Endereço: rua Ipiranga, 155, no Centro.


FOTOS: Divulgação/Sesc

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