Tecnologia e a influência nas relações humanas

Computador, smartphones, tablets, internet e um mundo todo conectado graças a uma rede capaz de gerar todas essas informações. Até os idos da década de 1970, jamais se imaginaria que em quatro décadas o planeta sofreria uma revolução tecnológica trazendo consigo a tal modernidade, que nada mais é a concepção de todas as mudanças provocadas ao longo do tempo e que influenciam as pessoas nos campos econômicos, políticos e sociais. A modernidade está diretamente conectada a ideia de futuro e o que tem sido feito para a construção desse futuro. Com tamanha velocidade de informações e transformações, os costumes e crenças não têm tempo suficiente para serem cristalizados, incorporados.


Com isso, novas ideias e novos conceitos entram em cena ocupando o lugar dos antigos. E no meio disso tudo, situam-se a família, a convivência em sociedade e a postura de cada indivíduo diante de tais transformações. De acordo com a psicóloga e psicanalista Ana Carolina Carvalho Pascoalete, a sociedade atual pode ser caracterizada como “eletrônica”, sendo que toda a comunicação está pautada em um processo digital, na qual as mensagens, signos e símbolos, lugares e atividades são virtuais. “Neste processo, as relações sociais sofrem grandes influências da tecnologia que, por sua vez, tem mudado as estruturas familiares, baseadas no sistema capitalista, e as relações estão cada vez mais individualizadas e, consequentemente, mais fragilizadas”, explica.

Segundo a psicanalista, todas essas mudanças ocorreram de forma universal. “Quando imaginamos o homem de antigamente, lembramos que eles saíam para a caça enquanto o lugar da mulher era cuidar da casa e filhos. Com o passar dos anos, a mulher foi inserida no mercado de trabalho e isso a fez adiar a realização de conquistas familiares, como o casamento e filhos”, enfatiza Ana Carolina.

A individualização, característica dessa época, reflete tanto nas escolhas de homens como de mulheres, que antes de pensar em formar uma família, direcionam seus esforços para uma formação profissional. “Como reflexo de uma sociedade cada vez mais individualizada, os índices de divórcio nunca foram tão altos - dado nacional mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2015, informa que o número de divórcios ao ano no Brasil cresceu 160% em 10 anos, de 130,5 mil, em 2004, para 341,1 mil em 2014, aumentando o número de filhos que vivem sozinhos ou com apenas um dos genitores)”, ressalta.

INSTITUIÇÃO FAMILIAR - Ana Carolina reforça que a família continua sendo uma instituição importante, uma vez que tem a responsabilidade de preparar os filhos para serem inseridos na sociedade e se desenvolverem como cidadãos. “A convivência em grupo é fundamental para os seres humanos. Mesmo com a constante evolução, por mais que as pessoas caminhem para o individualismo e até o egocentrismo, achando-se autossuficientes, dependem da convivência em grupo para sobreviver e se desenvolver como indivíduos”, reforça.

A formação do caráter depende dessa convivência, o conhecimento das regras e limites para que não invadam o espaço de outra pessoa. A socialização capacita o ser humano a se relacionar a partir de regras estabelecidas. “Assim, um conjunto de hábitos, costumes, regras, é transmitido geralmente pelo grupo ao qual pertencemos e essa vivência ajudará o indivíduo ser mais sociável, ou não”, justifica.

Atualmente, as comunidades virtuais dão origem a um novo tipo de sociabilidade. Sentir-se pertencente a um grupo é uma necessidade vital para o ser humano, tanto é que para entrar na comunidade virtual você precisa de um convite ou convidar seus amigos e serem aceitos por ela. A aceitação ou a rejeição fazem parte desse processo de sociabilidade. “Esse processo delicado, que envolve grupos virtuais dos mais variados assuntos, desde como construir um brinquedo como o hand spinner até grupos assassinos como o jogo da baleia azul, precisam da mediação e do acompanhamento dos pais, no sentido de vigiar à maneira pela qual essas informações chegam às crianças. Nesse ponto, a escola também tem papel fundamental para discutir assuntos que antes não eram de sua responsabilidade. Hoje, a escola tem a difícil missão de despertar nos alunos o senso crítico, pensando em uma sociedade coletiva, que seja tolerante as diferenças, pautada em princípios éticos, estéticos e morais”, ressalta.

Outro aspecto considerável é a preferência de muitos jovens por relacionar-se virtualmente. Assim, se torna mais fácil criar um perfil, seja ele verdadeiro ou fictício, do que enfrentar as situações de aceitação ou rejeição do dia a dia. As relações amorosas não ficam de fora dessa era tecnológica e estão cada vez mais superficiais. “A tecnologia pode oferecer muitos recursos, ferramentas, principalmente, se pensarmos nas pesquisas e descobertas que possibilitaram a cura de várias doenças, melhorando a qualidade de vida das pessoas. A internet também nos possibilita comunicarmos com pessoas do outro lado do mundo, porém a tecnologia não oferece relações”, pondera.

Pode se dizer que, ao invés do amor, a competição por um ‘lugar ao sol’ o substitui como novo propósito nas relações humanas, gerando tanta pressão que impede o indivíduo de apenas relacionar-se. “E em função disso e do ritmo frenético do dia a dia surgem às doenças psicológicas, que crescem junto com a modernidade. Hoje, o recado de parabéns no perfil do amigo, substitui, ou até perdoa a não ida à comemoração presencial. Vale lembrar que atitudes no ambiente virtual não superam, nem substituem comportamentos reais”, enfatiza Ana Carolina.

A globalização tem um efeito massificante e invade todas as formas de pensar, agir e relacionar-se. A pressa é uma doença que ataca pessoas que só sabem agir sob pressão, para resolver tudo o mais rápido possível. O estresse foi considerado a doença do século 20 e a depressão a doença do século 21. E a tendência é ocorrer um aumento desses índices, pois dentre outros fatores, as relações estão se tornando cada vez mais virtuais e cada vez menos humanas.


FOTO: Eliana Teixeira

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