Amor e luta: o elo entre mães e filhos

Elas focaram em suas vidas profissionais, se casaram e planejaram o momento da maternidade. Cada detalhe da vinda da primogênita da pedagoga e professora de educação infantil, Vanessa Camargo Rodrigues, 41, foi cuidadosamente planejado. O mesmo cuidado, com a chegada da primeira filha, teve a servidora municipal e empreendedora Beatriz Aparecida da Silva, 49. As duas mulheres têm em comum o enfrentamento às separações dos companheiros e pais das crianças – Vanessa com dois filhos e Beatriz com três – e o fato de lidarem com as dificuldades da maternidade diante da ausência paternal. Essas mulheres compartilham hoje, 14, no Dia das Mães, suas histórias. Mesmo em momentos onde os tons nos quadros das vidas de Vanessa e Beatriz não foram tão suaves, houve esperança. Motivadas pelo amor, com garra e muito cor de rosa choque, elas criam e educam seus filhos.

Mãe de Ana Beatriz, 12, e Miguel, 6, Vanessa recorda-se que sempre sonhou ser mãe. Após 11 anos de namoro, ela se casou em 2000. A filha, Ana Beatriz, nasceu em 2004. “Lembro de cada detalhe da gestação, do parto e de cada fase da Ana. Em 2008, a Ana passou a pedir um irmão e eu também queria outro filho, foi quando perdi meu pai e tive a certeza que eu não queria que minha filha estivesse só, quando eu não estiver mais aqui. Então, convenci meu ex-marido e engravidei do Miguel, que nasceu em 2010”, relata.

Vanessa Camargo, com os filhos Ana Beatriz e Miguel


Após 11 anos de união, o casamento de Vanessa chegou ao fim, em janeiro de 2012, por decisão do ex-marido que, segundo a pedagoga, disse que “precisava de liberdade”. O filho caçula tinha apenas 1 ano e 4 meses e a primogênita 7 anos. “Não foi nada fácil. A Ana era muito ligada ao pai. Tive vários problemas com ela na escola, o Miguel acordava e no berço chamava pelo pai. Eu havia trocado de emprego, no mês que eu me separei, e não tive meu salário completo, apenas o acerto dos dias trabalhados. Passei por uma situação financeira muito complicada”, relembra.

Para Vanessa, o sofrimento dos filhos foi o que mais pesou. Ela conta que as dificuldades eram muitas. “Precisei contratar uma babá, mas eu não tinha dinheiro para isso, fiz empréstimos. A busca pela babá foi muito difícil. Meu filho não tinha vaga integral na creche, demorei três anos para conseguir, mesmo a escola sabendo que eu era sozinha. No início, pedi ajuda para o pai dos meus filhos, mas diante das negativas dele, eu desisti. O padrão de vida que meus filhos estavam acostumados caiu muito. Eu já não conseguia manter roupas, alimentação, lazer como eles estavam acostumados”, conta.

A ausência masculina na família fez com que Vanessa tivesse que lidar com reparos de chuveiro, torneiras, tomadas, telhas. Mas nada foi pior, que levar os filhos ao médico, sozinha. “Sofri para me acostumar a levar meus filhos ao pronto socorro, sozinha, muitas vezes de madrugada. Era triste ter que tirar um deles da cama quentinha, quando o outro ficava doente. Minha filha sempre me ajudou a cuidar do irmão caçula, mas eu não me sinto à vontade em pedir a ajuda dela. Ela é criança, não tem que ser responsabilizada pelos cuidados com o Miguel”, ressalta.

A mãe encontrou coragem, pelos filhos, para enfrentar baratas, sapos, escorpiões e até cobra. “Hoje eu ‘tiro de letra’ esses animais, mas nem sempre foi assim”, admite. Vanessa lamenta o fato do pai das crianças não participar da educação delas. “Ele já chegou a ficar um ano sem visitar ou ligar para os filhos. A avó e o avô paternos, que sempre fazem a ponte dos netos com o pai, muitas vezes pegam as crianças e levam na casa do pai. Eu não me considero pai e mãe deles. Eu acredito que cada um tem o seu papel, eu acredito sim, que faço o melhor possível para ser uma mãe tão presente e participativa, que meus filhos não sintam tanta falta do pai”, analisa.

Com todos os pesares, Vanessa garante ter plena convicção de que ser mãe é a sua maior conquista. “A Ana e o Miguel são minhas maiores bênçãos. E mesmo com todas as dificuldades, eu nunca me arrependerei de ser mãe”, emociona-se.

TRÊS FILHOS E UMA MULHER – Para a servidora pública e empreendedora Beatriz Silva, a experiência da maternidade foi um marco, uma mudança total no modo de viver. “Mesmo sabendo na teoria, que ter um filho implicava mudanças e renúncias, desejei muito ser mãe, me planejei para isso e tive a imensa graça de Deus em poder conceber”, afirma.

Mãe de Ana Beatriz, 20, Marcos Aurélio Junior, 13, e Luísa Helena, 11, Beatriz conta ter sentido “imensa alegria” em cada gestação. “Eles são um presente agradável de Deus. É muito bom me lembrar dessa época em que os gestei, porque me recordo que cada experiência foi diferente. Essas recordações me animam para enfrentar as adversidades, que são muitas”, destaca.

Beatriz Silva e os filhos, Ana Beatriz, Junior e Luisa Helena


A separação entre Beatriz e o pai dos três filhos ocorreu em 2008, quando ela iria completar 40 anos de idade. Após ser vítima de agressão física do ex-marido, Beatriz relembra ter vivido um dilema: continuar sendo a esposa vítima de agressão, ou lutar para ser feliz. “Decidi ser feliz”, resume. Nessa época, relembra Beatriz, as crianças eram muito pequenas e ficaram bastante carentes da figura masculina dentro de casa. “Porém, com o tempo, foram ficando bem. Procurei ajuda profissional para eles e para mim, terapias, e isso me ajudou muito. Os envolvi em diversas atividades prazerosas e isso ajudou”, detalha.

Para Beatriz, o mais difícil na situação, era o medo por ser responsável pelas três vidas e mais a dela. Ela diz ter sentido medo de se arrepender da decisão, no futuro, de falhar com os filhos enquanto provedora, como mãe, como educadora. “Medo de lá na frente, eu mesma me culpar por isso. Muitas vezes, chorei e me desesperei mesmo! Enfrentei necessidades, tive que fazer opções, não tinha ninguém para dividir. E eu queria ter alguém para dividir as responsabilidades, alguém para me ajudar nas escolhas. Mas nunca tive o pai deles para me apoiar, então, somente enfrentei as situações. Pedi muito a Deus a direção correta, e tenho confiado nele (em Deus) para tudo”, garante.

De acordo com Beatriz, essa fase demorou muitos anos para passar. Mas passou. Ela não esmoreceu, foi à luta e tem dado conta, tranquilamente. Beatriz afirma ter sobrecarregado à maternidade, o papel de pai. “O pai das crianças, infelizmente, tem outras prioridades, vem de vez em quando. Mas o amor que vivo com os meus filhos preenche as lacunas. Faço tudo por eles, vivo por eles, apesar de saber que os crio para alçarem voos, enquanto eles estiverem comigo, continuarei assim”, enfatiza.

Ser mãe de três filhos, em idades tão diferentes, admite Beatriz, não é fácil. Sincera, a empreendedora diz admirar mulheres que “tiram de letra” a maternidade, sem dificuldades. “Sinceramente, todos os dias para mim ser mãe é um desafio. Já fiz de tudo: quadro de tarefas, mesadas de recompensa, tapas (brinca), gritos, ignorei, larguei, chorei de raiva, porque eles são mais espertos que eu, me driblam nas tarefas. Então, neste ano, ponderei e estou na fase de observar, viver em paz. Mas isso se deu, no momento em que vi minha filha de 20 anos ir para a faculdade de Odontologia. Enxerguei o que é mais importante para mim, não é que eles limpem o quarto, deixem tudo em ordem. É óbvio que eu preciso ensinar tudo isso, mas o importante é que eu crie filhos inteligentes e capazes de conviver numa sociedade difícil, que consigam sonhar e alcançar seus sonhos, que tenham equilíbrio emocional, que saibam ganhar, mas que saibam perder, que em minha casa reine a paz. Quero que quando eles saírem de casa, queiram retornar para me ver, sintam saudades de mim, e não queiram fugir de mim”, gargalha. “Espero estar no caminho certo”, pondera

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