Chorar, sorrir também e depois viajar


Eliana Pupin: "Eu tinha a consciência de que não podia ficar parada, chorando”

Eliana Teixeira

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ocanaldalili@gmail.com

“Tem vez que as coisas pesam mais do que a gente acha que pode aguentar. Nessa hora fique firme, pois tudo isso logo vai passar. Você vai rir, sem perceber, felicidade é só questão de ser. Quando chover, deixar molhar pra receber o sol quando voltar”. Frases da canção Felicidade, nas vozes melódicas de Marcelo Jeneci e Laura Lavieri, esboçam sentimentos diante de dificuldades que surgem no caminhar da vida. Essa música destaca que a felicidade sempre volta, para quem valoriza os atos mais singelos, as coisas mais sutis. Felicidade poderia ser a trilha sonora da servidora pública Eliana Pupin Chinelato, 62, que ficou viúva há quatro anos, viveu o luto, enfrentou a dor da perda, mas não permitiu que a tristeza a desmotivasse diante da nova fase, ainda que indesejada. “Ele adoeceu e morreu muito rápido. Eu tinha a consciência de que não podia ficar parada, chorando”, conta.

O enfrentamento a uma situação de perda, a uma tragédia, mudança de emprego, problema de saúde, nunca é fácil. Há quem se entregue à tristeza, ao desânimo, há quem lide com a situação aos poucos. Cada pessoa age ou reage de uma maneira. Mas há pessoas que enfrentam os problemas e ainda se fortalecem, crescem emocionalmente. São chamadas de resilientes, um conceito oriundo da física, que se refere à capacidade que alguns materiais têm de absorver impactos e retornar à forma original. Quando se trata do material humano, a resiliência refere-se à habilidade de lidar e superar as adversidades, transformando experiências negativas em aprendizados, chances de mudanças. “O primeiro passo para eu não entrar em depressão, foi pensar em me mudar da casa onde convivemos por tantos anos juntos. Mudar o contexto era uma forma de amenizar as lembranças”, relembra Eliana.

Para colocar o objetivo em prática, Eliana contratou uma arquiteta para elaborar o projeto da casa para qual mudou-se após um ano da perda do marido. Durante oito meses, a servidora pública tinha ocupação com os detalhes do projeto, acabamento da obra, serviço dos pedreiros. “Me mudei antes mesmo de poder decorar a casa, o que fui fazer depois de seis meses. Na casa nova, aprimorei meu orquidário e o cultivo de outras plantas. Foi uma forma que encontrei de curar a minha dor”, relata.

Antes da perda do marido, em 2008, Eliana esteve na Suíça, em pleno verão europeu


Passado os primeiros anos de viuvez, Eliana, que sempre gostou de viajar, conhecer lugares e culturas – ela já tinha a bagagem de uma viagem feita, em 2008, em pleno verão europeu à Itália, França, Suíça -, decidiu que era a hora de arrumar as malas novamente. “Viajei para Manaus, com meu irmão, minha cunhada e sobrinhos”, detalha.

Na viagem, Eliana registrou, com olhar focado de quem fez curso de fotografia, o Museu da Borracha, o Teatro Amazonas, a imensidão do Rio Negro. Mesmo sem saber nadar, admitindo ter medo da água, ela diz que o encantamento, por rios, lagos e mares, é maior. Na próxima quarta-feira, 3, Eliana embarca com uma amiga de trabalho para São Luís, Lençóis Maranhenses e Alcântara – onde fica a base de lançamento de foguetes da Força Área Brasileira (FAB) -, para conhecer cultura, gastronomia e história distintas.

Em 2016, Eliana viajou para Manaus, onde conheceu o Teatro Amazonas


Jovial e descolada, Eliana afirma não abrir mão do biquíni, algo que causa admiração até mesmo no neto dela, de apenas 11 anos de idade. “Sempre que viajo levo meu biquíni, meus chinelos, protetor solar, saída de praia, chapéu”, destaca. Indagada se as malas já estão prontas, Eliana sorri e diz: “Arrumo na véspera ou no dia. Sou rápida e prática para fazer as malas. E em setembro, viajo para Foz do Iguaçu!”, revela animada.

Rio Negro, em Manaus, foi um dos registros durante a viagem de Eliana, que fez curso de fotografia


*Fotos: Acervo/Eliana Pupin

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